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Quando fazer tudo é uma decisão ainda mais difícil do que escolher

Newsletter da artista #2

Era pra ter soltado essa newsletter ontem. Não deu tempo, tive uma sessão de tattoo, fiquei até de madrugada dando acabamento em parte da nova leva de xícaras, sem contar que trabalhando de casa de novo tem toda uma demanda meio cansativa de cuidar do ateliê e de uma casa gigante tudo ao mesmo tempo. Não encostei no pincel, de novo.

Eu sei que falei que não ia mandar uma newsletter a cada 15 dias pra vocês só reclamando que estou muito cansada e que não consigo achar equilíbrio na minha rotina, deixando o que é mais importante pra mim por fazer. Então hoje vim conversar sobre administração de tempo e como fazer mais de uma atividade nos últimos anos tem me deixado cronicamente exausta e longe de resultados satisfatórios.



Precisei de muita terapia (e ler alguns bons livros de autoajuda, que eu adoro e isso com certeza é algo sobre mim que vocês não sabiam, já fez valer essa newsletter, né?!) pra entender que fazer mil coisas não é o que vai me ajudar a ter mais sucesso no meu negócio. Pelo contrário, focar em uma coisa e seguir nesse caminho com todas as minhas energias é o que pode me levar mais longe. E, pra mim, esse é o problema.


Várias clientes de tattoo, em conversas durante as sessões, já me perguntaram o que eu mais gosto de fazer, entre todas as minhas atividades. A minha resposta, sem pestanejar, sempre é pintura. Ilustrar e pintar, lidar com cores, texturas e formas, é minha grande paixão!

Depois disso, vem a cerâmica, que me acompanha há muito tempo e tem dias que eu amo mas tem dias que quero desistir, deixar isso como hobby e nada mais, sem pressão de fazer disso algo rentável para meu negócio.



Já a tattoo, foi algo que aconteceu na minha vida antes da pandemia e que não tenho intenção de fazer carreira. Não devo passar mais do que os próximos 2 anos tatuando, e já estou acostumando minhas clientes e seguidoras com a ideia de que a tattoo vai ficar cada vez mais escassa ao longo do tempo. Não é marketing, é uma artista cansada tentando lidar com a vida e achar o seu caminho sem perder a saúde física e mental.


Bem, isso tenho claro pra mim hoje em dia, mas na prática as coisas são mais complicadas do que parecem. Não preciso entrar em detalhes pra vocês entenderem que a tattoo tem um retorno a curtíssimo prazo bastante interessante, e eu me apoiei nisso nos últimos anos, divulgando meu trabalho como tatuadora, e o resultado disso foi: esse está sendo o ano mais fraco de freela que tive desde que comecei a trabalhar como ilustradora, em 2015. Isso me gera um mix de confusão com desespero. Como assim, o que eu mais amo fazer está escorrendo pelas minhas mãos e eu nem percebi isso acontecendo?!


Algo que era pra ser só uma fase, a tattoo, está tomando conta da minha vida profissional e quanto mais tempo demoro pra tomar uma atitude, mas tempo e mais trabalho vai levar pra eu voltar pro jogo.


Então eu decidi parar de postar tattoo na minha conta principal, apenas na outra conta destinada só pra isso, e voltar a postar mais conteúdo de ilustração. Mas ai entra um pouco em outras duas questões: crise com meu trabalho como ilustradora e achar tempo nessa rotina complexa pra me dedicar a pintura e a ilustração pra postar trabalhos novos. Mas isso fica no papo da outra semana, o que acham?


Estou compartilhando tudo isso só pra gente ter uma troca mais sincera sobre nossos caminhos como artista no Brasil, o preço disso e pra vocês entenderem que processo não é uma coisa linear. É bem desgastante, mas quando se é artista não é possível ser outra coisa, então seguimos, né?!


Até semana que vem.


Com carinho e sinceridade,

Brunna

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